Você não passa por errar questões fáceis

A princípio, parece algo simples, mas tem desdobramento um pouco mais complexos. Quando falo questões fáceis, digo aquelas que todo mundo acertou. Não se trata ser fácil ou difícil pra você, pois isso é algo muito subjetivo. O que é difícil pra mim pode ser fácil pra você e vice-versa. Temos que ter critérios objetivos, e, objetivamente falando, questão fácil é aquela que todos acertam e questão difícil é aquela que muita gente erra. Se você erra uma fácil, você fica pra trás. “Entendi, Adalberto, mas e dai?” Aí que tá. Poucas pessoas usam esse dado a seu favor. Normalmente, para reorganizar seus estudos após uma prova ruim, as pessoas só veem qual o número absoluto de questões que fizeram em cada matéria e vão estudar mais as matérias que fizeram menos questões (“não tô sabendo nada de empresarial”). O problema que essa é uma análise pobre. Às vezes a matéria que você foi muito mal tinha muitas questões difíceis, que é natural errar. Muitas vezes, a matéria que você foi bem, errando 2 ou 3 questões, foi uma prova que todo mundo fechou, então você tá mal nessa matéria. Perceba que tudo é relativo. Mas se você partir de um pressuposto de se preocupar com as questões fáceis que anda errando, fica mais fácil de orientar seus estudos. É a famosa horizontalização do conhecimento. Estudar de determinada maneira pelo menos pra garantir as fáceis, de todas as matérias. Sabendo o basicão, acredite, você passa. Porém não adianta muita coisa saber determinadas matérias de forma aprofundada e não saber o mínimo de outras, pois, mesmo que acerte algumas difíceis daquela matéria que você sabe muito, isso não vai compensar as fáceis que você deve errar das que não estuda. Pense nisso! Até a próxima!
Por que os cursinhos são uma zona de conforto?

Primeiramente, é importante ressaltar que estou falando de videoaulas, não dos arquivos em PDF (que são muito importantes, às vezes). E por que é uma zona de conforto? Porque a esmagadora maioria das pessoas vai ter dois comportamentos com os cursinhos. Ou vai assistir às aulas, e somente assisti-las, sem fazer nada mais, porque não tem tempo (uma pessoa que trabalha e tem apenas 3h a 4h disponíveis pra estudar , vai gastá-lo todo em aulas). Ou, se tiver mais tempo, vai assisti-las, depois estudar o que foi visto na aula (legislação, doutrina e poucas questões..) e assim seguir, todos os dias, normalmente por um ano (quando conseguem). Durante esse ano, ou ao final dele, vão fazer uma prova e aíii… BOMBA. “Poxa, o que aconteceu? Eu estudei todo o edital de forma tão boa”. O que aconteceu foi que você esqueceu boa parte. E o cursinho contribuiu em muito pra isso, pois não te deixou respirar com matérias novas todos os dias (a menos que você pratique o tormento de estudar o fim de semana inteiro pra isso, o que prejudicará seu rendimento). Mas os problemas não param por aí. Os cursinhos nivelam por baixo, até porque o nível dos alunos é o mais variado possível e não tem como exigir muito. Os cursinhos, e isso vale apenas pros presenciais, tomam muito tempo de deslocamento. Os cursinhos tem professores ruins, que também te fazem perder tempo (já eu falo dos bons). Os cursinhos são caros, pelo menos os que são considerados razoáveis. “Mas Adalberto, e os bons professores? Eu aprendo muito com eles”. “Ah, eu preciso formar minha base, depois vou encarar os concursos”. Você já experimentou se dar a chance de aprender sozinho (a)? Ou você partiu do pressuposto que o professor vai te explicar melhor do que você entendendo por si mesmo? Isso é zona de conforto. É preferir o mais fácil, e não o mais eficaz. Há pesquisas que as ligações em nossa mente se formam de maneira muito mais forte quando você deduz por si só o que está aprendendo. Estudo ativo. Mas você está disposto a isso? O cursinho vai ser interessante pra quando você não sabe rigorosamente nada, como uma pessoa formada em engenharia que vai fazer concurso pra técnico de trt. Tudo é uma questão de custo benefício de tempo, além de dinheiro. Você pode aprender muito mais utilizando aquele tempo da aula estudando por si só que gastando num cursinho, seja ele qual for. A maioria é caça níquel, de qualidade péssima. Não sejam a “manada”, aqueles que vão com todo mundo. Procurem se auto avaliar (simulados são um bom parâmetro). Se liga! Não vai ser o cursinho que vai te guiar até a aprovação. De onde você tirou que é tão mais esperto que os demais alunos do cursinho pra escutar a mesma ladainha e se destacar do resto? Você precisa fazer diferente! Eles têm milhares de alunos e só algumas dezenas de pessoas vão ser aprovadas. E eu aposto com você, poucas de cursinhos. E dessas poucas, pergunte se ele foi fundamental na aprovação e serão menos ainda! Não seja mais do mesmo. Confie mais em si mesmo! O grande responsável pela sua aprovação sempre foi e sempre será apenas você!
O estudo é qualitativo e não quantitativo

Se quantidade de horas de estudo fosse sinônimo de aprovação, não teríamos tanta gente estudando há tanto anos tanto tempo por dia, sem nunca ter sido aprovado, ao passo que outros, com uma pouca quantidade de horas, em meses, são aprovados. Não, isso não é balela. Existe mesmo. O que não existe é a chamada “fila da aprovação”, que consistiria no tempo que você esperaria até tomar posse. Quanto mais tarde você começasse, mais tarde tomaria posse, porque haveria outros na sua frente. Isso é um dos muitos mitos no mundo dos concursos, vendidos muitas vezes por cursinhos, para que você fique preso a eles, acreditando que aquele “extensivo anual” vai te dar a famosa base para você finalmente engrenar. Balela. Mas depois eu falo disso. O que quero passar agora é que a quantidade de tempo de estudo ajuda, mas nunca será determinante pra aprovação. Não somente histórias como aquele filho do amigo do vizinho que estudou 3 meses e passou existem, como também daquela mãe solteira que trabalhava dois turnos e passou também existe. Se você tem o dia inteiro pra estudar, ótimo, você está melhor que muita gente. Porém se você estudar 10, 12h, todo dia, sábados e domingos, isso te faz ficar abaixo da concorrência , por mais paradoxal que possa parecer. Isso porque você vai parar sua vida por algo que pode não acontecer (sua aprovação), te trazendo uma pressão desnecessária, como também irá cansar sua mente, deixando de absorver inclusive o que já estava consolidado (algo que também falarei depois). Há estudos que concluem que a partir da sétima hora de estudo, nossa mente tem um rendimento bem menor , e precisaremos de mais tempo pra absorver conteúdo. Este tempo extra poderia estar sendo bem melhor utilizado em atividades físicas, diversão com sua família, etc, o que faria com que sua mente descansasse, consolidasse o que aprendeu no dia, e recarregasse as energias para o dia seguinte. Quantos de vocês já estudaram com a sensação de que “não entrava nada”? Bem, é disso que eu estou falando. Há uma diferença enorme entre ler e aprender. Horas líquidas também não significam muita coisa, pelo mesmo motivo. Mas disso falo depois. E aí, o que achou?
Não existem métodos de revisão perfeitos (pelo contrário)

Muita gente (mas muita mesmo) me pergunta sobre métodos de revisão. Alunos, amigos, servidores, todos querendo descobrir a fórmula mágica de revisar e lembrar do máximo que conseguir, se queixando porque nunca conseguiram encaixar um jeito. E eu sempre respondo da mesma forma. Os métodos de revisão propagados por aí são ILUSÃO. Essa é a palavra. Ilusão porque você acredita que dá certo no início, mas depois começa a se complicar e por fim chega à conclusão (como chegou esse povo acima) que não vão conseguir fazer, culpando a si mesmo pela indisciplina. Mas o problema está justamente na revisão. E ele deriva lá do início. Quando esses métodos malucos de revisar foram criados (pode escolher qualquer um: 1 dia 1 semana 1 mês 6 meses , 7, 15, 30, etc), foram baseados numa falsa premissa de combate a curva do esquecimento que um cientista maluco empregou no começo do século xx. O que ninguém fala é que essa tática era pra decorar sequências de letras e números (sem significação: AOP, KHE, HIV, PTM, etc). Não era pra aprender nada significativo. Foi desmascarada pouco tempo depois, sendo que os especialistas de concurso se apropriaram dela porque é “mais fácil” de explicar e joga a culpa toda pra cima do usuário que não consegue executá-la. Além do problema conceitual, ainda há um problema prático. Com o tempo, a revisão fica inviável porque você não consegue bater as metas. Ao invés de um estudo qualitativo, passa a focar num estudo quantitativo, para que as revisões possam ser executadas, o que acaba prejudicando seu aprendizado, como já falei aqui que o estudo deve ser qualitativo e não quantitativo. A conclusão é você dificilmente conseguira cumprir essas metas de revisão, e, mesmo se conseguisse, seria ineficiente. E aí, o que eu faço? Estude no seu ritmo. As revisões assistemáticas por meio de questões serão as melhores maneiras de fixar o conteúdo. A revisão de véspera de prova (revisão do que foi estudado até aquele momento, a ser feita de 2 semanas a 1 mês antes da prova) também é uma boa. A repetição de temas prioritários é outra saída. É isso. Espero que tenha aclarado um pouco a ideia. Um abraço!
