Perfeccionismo

Não somos perfeitos. Mas buscamos ser. E buscar a perfeição é algo bom. Por quê? Porque nos aperfeiçoar e nos tornar melhores é o motivo pelo qual vivemos. Se o seu é outro, sinto muito, mas repense seus valores. Não buscar se aperfeiçoar leva à ideia que você “já é muito bom”, ou que aquele seu problema nunca vai ser superado, simplesmente porque “você é assim”. Isso não existe. Você é um produto de suas escolhas. Pois bem. Entendido essa parte, vamos para algo diferente. O perfeccionismo é conceituado como a obsessão de realizar tudo com perfeição. Atente-se para as duas partes nesta definição. Um é a palavra obsessão, que na quase totalidade de seus contextos, indica algo ruim. A outra é o “realizar tudo com perfeição”. Isso não significa SER perfeito. Ou buscar ser perfeito. Significa fazer as coisas com excelência, sem erros ou correções. Buscando um resultado a prova de falhas. Não. Nem sempre vai ser algo ruim. Mas a capacidade de pensar sobre o processo fica muito afetada quando você foca exclusivamente no resultado. Esse é o X da questão. Quando transpusemos essa realidade para o mundo dos concursos, nos deparamos com aquela pessoa que quer saber letra por letra de todos os assuntos que se propõe a estudar, porque o “deixar passar” não está no seu dicionário. É aquela pessoa que não sai de um assunto enquanto não o entende de forma completa e absoluta. É aquela pessoa que não admite fazer uma prova sem ter estudado todos os assuntos que vão cair nela, nem que isso custe sua sanidade antes da prova. E é aquela pessoa que desmorona quando algo não sai do jeito que ela quer. E na grande maioria das vezes vai acontecer justamente isso. Não vai acontecer do jeito que ela imaginou e ela vai cair. Mas perceba. Foi ela que criou todo o contexto. Ela caiu numa armadilha criada por ela mesma. Repito. Tentar fazer atividades com esmero e excelência não é ruim. Mas o excesso é. E em qualquer atividade intelectual, você depende de uma máquina que muitas vezes não consegue controlar, que é seu cérebro. Isso é diferente de uma atividade manual, ou um esporte, em que você depende de todo o seu corpo, ou de habilidades específicas.Muitas vezes o seu cérebro vai te pregar peças e você não saberá lidar com isso, caso se identifique como uma pessoa à prova de erros.
Aprendizagem por associação e concursos públicos

Uma das maneiras de o ser humano aprender é a chamada aprendizagem por associação. Você tem uma experiência atual e a relaciona ou associa a uma passada, fazendo com que seu conhecimento sobre aquele tipo de situação aumente e fique mais profundo, porque, a cada associação que você faz sobre aquilo, em tese, mais você saberá. Desde a nossa infância, nosso conhecimento sobre as mais diversas experiências vem se consolidando através da aprendizagem por associação. Quando nunca se viu algo, se viu há muito tempo, ou se viu sem prestar tanta atenção, o ser humano precisa fazer associações mais tênues, e, consequentemente, o início daquela aprendizagem nova vai ser mais lento. Com o tempo, isto se equilibra, se souber usar bem as ferramentas. Agora transpusamos isto para os estudos de concurso. Noto muita gente querendo aprender todo um conteúdo na PRIMEIRA VEZ que lê, ou quando lê depois de muito tempo. Tal procedimento, a meu ver, é falho, por dois motivos. O primeiro é de que, ao querer entender tudo “de primeira”, você força o seu cérebro desnecessariamente, porque aquilo ali vai ser esquecido em breve, e, como você tá parando praticamente em todo tema pra exauri-lo, vai demorar demais a voltar pra ele. Quando voltar, o que vai acontecer? Volta o texto que você vai ver. Você vai fazer associações tênues novamente, e o ciclo se reinicia. O segundo é que talvez esse tema que você queira exaurir não seja tão importante assim, ou sua forma de cobrança em provas não demande tanto aprofundamento. Dessa maneira você vai estar perdendo tempo. Qual a solução? O que gosto de falar pros alunos é ter uma primeira leitura superficial, entender o contexto, e a partir da segunda leitura se aprofundar aos poucos em temas que a pessoa identificar que precisa, tanto porque ela não tá bem nele como porque cai em prova.
