O que faz mais diferença no seu estudo?

MATERIAL NÚMERO DE HORAS FORMA DE ESTUDAR Antigamente, e digo bem antigamente mesmo, anos 90 para trás, quando só se tinha praticamente uma fonte de estudo, e a informação era super escassa, eu diria que a resposta era tempo de estudo. Entre os anos 90 e meados dos anos 2000, com o boom dos cursinhos e de maneiras mais fáceis de aprender, e com uma internet ainda se desenvolvendo precariamente, eu diria que o material era o que fazia a diferença, pois a diferença entre um bom material e um ruim era gritante. Havia um monopólio dos cursinhos. A partir de 2010, mais ou menos, eu respondo, sem medo de errar, que a forma de estudar é que vai ser o grande diferencial. Vamos lá. Materiais temos aos montes. Aqueles materiais ruins do passado foram eliminados por seleção natural. Hoje, os materiais existentes no mercado de concursos são excelentes. São tantos que, às vezes, até confunde, pois o excesso de informação gera desinformação. Além disso, com o mundo cada vez mais digital, o acesso à informação por um clique, fez com que o monopólio dos cursinhos deixasse de existir. Eu tenho informação infinita, mas não sei como filtrar ela e direcionar pro meu objetivo, que é passar! Tempo de estudo, apesar de ajudar, não é o diferencial, senão não veríamos tantas pessoas com todo o tempo disponível sem passar, e outras com tempo escasso, sendo aprovadas. O grande lance é a forma de se estudar. Como você vai organizar seu tempo, de forma a otimizá-lo o máximo possível, e conseguir usar seu material de modo a esquecer o mínimo de coisas, porque aprender todos nós conseguimos, o problema é lembrar quando mais precisamos, na prova! Não romantizem estudo! Sejam pragmáticos! Sejam objetivos! Critérios objetivos e objetivos definidos! Pense nisso!

Sobre revisões

revisão-estudo

Quem já me acompanha há mais tempo sabe que não gosto do modo como as revisões são propostas por aí, mas vou tentar clarear ainda mais a mente de vocês. Essa forma de revisar conteúdos que muita gente traz pro estudo de concursos, e que aprendemos na escola, é baseada no modelo de Curva do Esquecimento proposto por um cientista lá no século XIX, que já foi superada, mas se insiste em trazer hoje porque é mais fácil de explicar. Mas não vou nem falar disso. Pra que fazemos revisões? Pra lembrarmos mais dos conteúdos que estudamos, correto? Sim. Ocorre que você estabelecer periodicidade de tempo para fazer suas revisões, qualquer que seja essa periodicidade, acaba incorrendo em dois erros sutis, mas que acabam te prejudicando muito. O primeiro é que, com o tempo passando, você precisará fazer escolhas trágicas. Isto porque o número de matérias para revisar aumenta, e você ainda tem que ler coisas novas, mas o seu tempo disponível não aumenta. O resultado é um aumento de ansiedade, ou aumento da carga horaria de estudo, o que vai te trazer fadiga. Detectar que esse tipo de revisão é problemática depende do seu tempo disponível para estudo. Quanto mais tempo você tem, mais você vai demorar a identificá-lo. Por isso que muitas vezes, quando você se propõe a fazê-lo, dá certo no começo, porque ainda tem pouco conteúdo. Depois começa a dar errado e você acha que o problema é você. E NÃO É! O segundo erro é mais sutil ainda. Você tá se preocupando apenas em “bater uma meta”. Não importa como tenha sido a qualidade do seu estudo, o importante é bater a meta. Toda vez que você impõe algo que vai ser realizado a certo tempo a seu cérebro, deixa ele mais ansioso, o que faz com que o rendimento seja menor. Bem melhor é a espontaneidade. Além disso, esse aumento do tempo de revisão acaba sacrificando o tempo para você resolver questões, que fatalmente serão a melhor forma de você revisar o conteúdo, de forma natural. E mais, de forma aleatória. A espontaneidade da lembrança do conteúdo é o que vai te fazer lembrar. A ligação é bem mais forte e, consequentemente, dura mais.

Metade dos problemas da vida decorrem de dizer SIM depressa demais e não dizer NÃO cedo o bastante

sim-não

Sabe aquele namoro que você sabe, no fundo, que não vai dar em nada, que uma hora ou outra tudo irá por água abaixo, mas você insiste em manter, se aprofundando cada vez mais naquele “erro” achando que um dia irá dar certo? Sabe aquele filme horroroso que você continua assistindo só porque já começou ou, pior, só porque já pagou o ingresso? Sabe aquela empresa que vive te dando prejuízo, por mais que você tente não consegue fazer ela dar lucro, mas você continua botando seu dinheiro, com a esperança de que um dia irá dar certo? Sabe aquele método de estudos que você não vê evolução alguma, que seu desempenho só cai ou fica estagnado em prova; por mais que você aumente seu tempo de estudo, o desempenho não aumenta de jeito nenhum, mas você insiste nele achando que um dia irá dar certo? Pois bem. Tudo isso tem um fator em comum. Se chama INFLUÊNCIA DOS CUSTOS PERDIDOS, e afeta todos nós. No jargão popular também pode ser chamada de “não dar o braço a torcer” – Não me perguntem de onde veio essa expressão. O caso mais famoso é o do Avião Concorde, que deu prejuízo por mais de 4 décadas, na casa dos bilhões, e os governos inglês e francês continuaram insistindo pra não terem que admitir estarem errados. Ela é a tendência de continuar investindo tempo, dinheiro e energia numa proposta que sabemos ser malsucedida só porque já gastamos um valor impossível de ser ressarcido. Isso pode facilmente se transformar em um círculo vicioso: quanto mais investimos, mais decididos ficamos a ver se dá certo e se o investimento rende. Quanto mais investimos em algo, mais difícil é deixá-lo pra lá. Lembra daquele curso que você contratou, no meio viu que não ia dar em nada, mas que insistiu em terminá-lo? Além do dinheiro, ainda gastou seu precioso tempo. Pois bem… Descomprometa-se! Você tem muito a ganhar reduzindo prejuízos, em todos os campos da sua vida!

Poder e Dever

dúvidas

POSSO assistir aulas X DEVO fazer questões POSSO estudar por livrões X DEVO ler a Lei seca POSSO marcar quantas horas líquidas faço X DEVO dar um intervalo entre as matérias POSSO estudar mais tempo quando tiver perto da prova X DEVO descansar pelo menos um dia na semana POSSO fazer várias provas X DEVO escolher um cargo para estudar POSSO me preocupar com as questões mirabolantes das provas X DEVO me preocupar com as questões fáceis que errei. Poder e dever aparecem com muito mais frequência do que você imagina no mundo dos concursos. Enquanto no primeiro, há uma opção, que você pode ou não fazer, que não mudará tanto seu desempenho, no segundo é uma obrigação. Caso você não faça, fatalmente terá problemas. E aí? Anda fazendo o que pode, mas não o que deve?

Efeito Gangorra

equilíbrio-concurso

Quem aí já imaginou que foi mal em determinada disciplina numa prova, estudou muito ela pra próxima, foi bem nela, mas piorou em outra? Aí para a prova seguinte, estudou bem essa que foi pior, deixou de lado aquela que foi bem, e as coisas se inverteram? Quem nunca? Aí a pessoa para e pensa: poxa, nunca vou melhorar, não consigo multiplicar meu tempo, sempre vai ter uma matéria que vou mal. Na verdade, o que você não está tendo é estratégia. O fato de você ir bem numa prova em uma matéria não significa que você está bem nela. O fato de você ir mal em outra, não significa que você esteja mal nela. Depende de vários fatores, entre eles a dificuldade da prova e o tempo que você gastou nelas nas duas semanas de véspera. Tá, mas e aí? Estudo com a mesma ênfase tais matérias? Não, identifique as que você realmente está mal. Faça uma análise das suas últimas 3 provas, veja se você organizou bem o tempo para resolver (às vezes, nas últimas questões da prova, a tendência é que se erre mais por causa do cansaço, não porque você está mal), veja o nível de dificuldade de cada matéria, sem esquecer do quanto você já avançou nelas (o estudo prévio) e assim monte seu cronograma para o próximo embate! Na gangorra, a parte mais legal é justamente quando os dois estão no meio. Busque o equilíbrio!

“Não sei, não importa”

estudo-concurso

Explico. As perguntas mais comuns são do tipo: “Quantas questões devo fazer por dia?”, “Faço caderno de erros?”, “Você acha que devo ler pelo computador ou por papel?”, “Reviso de quanto em quanto tempo?”, “Quantas páginas leio por dia?”, “Quantas horas líquidas você acha ideal pra magistratura?”. Tento respondê-las, mas, a bem da verdade, poderia dizer: “Não sei, ISSO NÃO IMPORTA”. Se preocupe com o que você efetivamente está fixando/aprendendo. Vá no seu ritmo. Nenhuma dessas que eu citei acima está relacionada ao conteúdo que você consegue compreender ou que vai lembrar na hora da prova. São todas preocupações com metas ou trivialidades que acabam ocupando seu cérebro com dúvidas que são totalmente desnecessárias. “Mas se eu não souber isso, vou ficar em dúvidas quanto ao método que estou seguindo, se ele está dando certo ou não”. Se você pensa assim, tá pensando errado. Não tem que se perguntar isso. Quem vai dizer se você tá estudando certo é o simulado ou a prova que você deve fazer. Parâmetros objetivos de aferição de evolução. Você acha mesmo que reprovou porque deixou de estudar esse ou aquele assunto? Se você tivesse estudado, o motivo da reprovação seria outro assunto. Não crie desculpas quando a culpa é sua, ou simplesmente você ainda não está numa fase pra ser aprovado. E outra. Não adianta se forçar a fazer algo só pra “bater a meta”. Estudo não tem que ser legal, mas também não precisa ser tortura. Encontre o equilíbrio!

Não existe fórmula mágica!

mulher-estudando

Cuidado com cursos e métodos engessados. Você tem que encontrar o mais próximo a sua realidade e isso depende de inúmeros fatores. Melhor do que outra pessoa que não conhece minimamente sua realidade dizendo o que você deve fazer, é algo que te faça pensar e definir seu destino por si mesmo! Sei que acabo sendo repetitivo, mas é a pura verdade. Seguir esse caminho sem se entender, no final, acaba dando errado. Pode demorar mais tempo ou menos, a depender do seu tempo disponível de estudo, seus métodos de aferição de desempenho ou de seu discernimento e autoconhecimento, mas vai dar. Gaste mais tempo se entendendo e vendo suas fraquezas que procurando seguir cegamente algo alheio!

Você sempre sabe quando não está fazendo o suficiente; mas você nunca sabe quando está fazendo demais

pessoa-triste

Quem aí se acabou de estudar no fim de semana? Essa mensagem vai pra você: CUIDADO COM EXCESSOS! Se quantidade de tempo de estudo fosse determinante pra aprovação, não teríamos tanta gente estudando durante tanto tempo sem ter sido aprovado. Ela ajuda, mas não determina. Além disso, você precisa entender que o descanso mental tem necessariamente que fazer parte da sua rotina. Você assenta as matérias lidas durante a semana (se elas não assentarem, a posterior vai substituir a anterior no seu cérebro e você esquece facilmente). Outro motivo é descansar pra mais uma semana. “Ah, mas quase não tenho tempo durante a semana. Preciso estudar no fim de semana”. Aí o problema é de prioridade. Talvez concurso não seja pra você. Você não está dando a prioridade devida. Algo de errado não está certo.

“A aprendizagem é uma habilidade adquirida, e, na maior parte das vezes, as estratégias mais eficazes são CONTRAINTUITIVAS”

estudo

Não, essa frase não é minha. Pertence ao livro “Fixe o conhecimento”, escrito por três estudiosos da cognição e da aprendizagem humana. Contraintuitivo é algo que não podemos intuir com facilidade, ou seja, nossa intuição da maneira mais eficiente de aprender normalmente está errada. Mas note. Não é que você não vá aprender ao estudar de maneiras menos eficazes. Você vai. Se você não desistir no meio, a tendência é que você consiga. Do mesmo jeito que numa maratona, há os primeiros lugares e o milésimo lugar. Ambos completam o caminho, porém o primeiro de maneira bem mais rápida, porque SUA ESTRATÉGIA de estudos, ops, de corrida, foi bem mais eficaz. Por exemplo, se ele correr muito no começo, ele consegue manter a mesma velocidade no final? Pense nisso!

No estudo para concursos, não há linha de chegada!

livros

Vejam se já não aconteceu com vocês. Começam a estudar e aparecem vários editais. Você não consegue finalizar nenhum até a prova, e acaba indo mal. Daí os editais dão uma folga, você estuda bem, e quando o próximo concurso surge, você finalmente consegue bater todo ele. Quando vai fazer a prova, BOMBA. MAS POR QUÊ? Simplesmente porque o estudo é cíclico (não por ciclos). O fato de você acabar o que se propôs não significa que vai saber tudo o que tem nele. Além disso, a pressão por estar com um estudo PERFEITO pode também te prejudicar na prova. Na verdade, você precisa mudar para outros assuntos ou outros materiais. Tem que repetir. A repetição te leva à excelência. O que quero dizer com isso? Muitas pessoas me procuram com a seguinte dúvida: Em quanto tempo consigo finalizar o edital? Tal dúvida é inútil, já que não há necessidade de finalizar edital, e o mero fato de você conseguir ler todo ele não significa que vai lembrar de tudo, quanto mais ser aprovado. Mas cuidado! Não confunda isso de não haver linha de chegada para estudos com o fato de ser aprovado no concurso dos sonhos. Para todo RESULTADO, há linha de chegada, que é quando você consegue ele. Porém você pode ser aprovado quando está, por exemplo, no meio da sua quinta leitura dos assuntos de Direito Constitucional, terceira leitura de Direito Empresarial ou décima leitura da lei 8666 (eu mesmo deve ter lido umas 30 vezes). Outra pergunta muito comum é, se eu começar a estudar de forma dedicada agora, em quanto tempo vou passar? A resposta é aquele bom e velho: “depende”. Porém, se você tiver parâmetros objetivos de aferição, com algum tempo vendo sua evolução, consegue traçar um diagnóstico aproximado disso aí também. A linha de chegada da aprovação poderá ser traçada. Porém, dos estudos, nunca vai acabar!  

PHP Code Snippets Powered By : XYZScripts.com