A formação da famosa “base”

A pergunta é sempre a mesma, com algumas variações: professor, para formar a base, é melhor ler uma doutrina densa ou fazer um cursinho? Minha resposta surpreende a muita gente. “Leia resumos, e apenas resumos, dos temas que caem mais. Depois vá para temas secundários. E apenas no final aprofunde o conhecimento com livros e aulas.” Por quê?Antes de dar a resposta, adianto que sei que o tema é complexo e respeito os entendimentos diversos. Mas vamos lá. O estudo de concursos deve ser pragmático. É um fato que você vai esquecer parte do que estuda. Você não tem como fugir dessa realidade. Se você vai esquecer, é melhor esquecer do que cai mais ou do que cai menos? Do que cai menos, obviamente. Se você se debruça sobre todos os temas do edital de forma linear, não vai poder controlar isso. Captou então a ideia de ler os principais temas?Agora quanto aos resumos. Uma ou duas leituras de algo não é suficiente para você fixar. Dez talvez dê certo. Então você precisa de materiais curtos para conseguir isso mais rapidamente. Entenda que você precisa saber o básico de tudo, de início. Ter uma noção de contexto, para DEPOIS se aprofundar no que realmente vale à pena. Se você lê um livro ou assiste aula logo no começo, você tá com um monte de informações, mas NÃO SABE O QUE FAZER COM ELAS. Resultado? Perda de tempo. E tempo, meus amigos, é ouro! A famosa BASE é justamente isso. Saber bem temas que mais caem de forma razoável. Não precisa ser um doutor na matéria.Depois você parte para temas secundários e finalmente para aprofundamento. Nós nos aprofundamos em temas específicos, nunca em tudo!
A chave do sucesso é começar mesmo sem estar pronto

Digo e repito: NUNCA EXISTIRÃO CONDIÇÕES PERFEITAS PARA NADA.Se você quiser, sempre vai buscar um argumento para não tentar. Aí que está o erro. Recentemente uma de minhas alunas pra OAB não quis fazer a prova seguinte porque dizia não estar pronta. O medo do fracasso foi maior do que a vontade de vencer.Comece! Durante o caminho você vai se regulando, diversos obstáculos podem surgir, mas o que diferencia aquele que vence do que fica pelo caminho é justamente a habilidade de se adaptar. Por isso que às vezes o mais talentoso não vence, porque ele nunca precisou se adaptar. Já o esforçado sempre precisou matar um leão a cada dia, então está acostumado a insucessos e com certeza vai estar pronto pra vitória quando ela vier.Além de tudo, estar pronto é um conceito extremamente relativo! Quem pode dizer que você está? Você mesmo? Nossa auto análise é muito falha. Tenha cuidado!Faça questões, faça provas, se arrisque, mesmo sem estar pronto. O caminho será mais curto, pode acreditar!
Ler por uma vez te dá conhecimento. A repetição te leva à excelência!

“Somos o que repetidamente fazemos; a excelência, portanto, não é um feito, mas um hábito” – já dizia Aristóteles.Outro que se debruçou sobre o tema foi Malcolm Gladwell, com sua regra das dez mil horas, indicando que alguém que pratica por dez mil horas tende a ficar especialista em qualquer assunto.Porque que com o conhecimento seria diferente? Muitos leem por uma vez algo e acham que já aprenderam. O fato é que esquecemos constantemente qualquer aprendizado e precisamos REPETIR para fixar. Não somente revisar. A revisão deixa passar muita coisa. Por isso recomendo fazer apenas na véspera.A repetição, sim, faz fixar, cada vez mais!
Esgotar todas as matérias uma por vez, ciclos de matérias ou todas as matérias ao mesmo tempo?

Nenhuma das 3. Como expliquei no post sobre matérias no mesmo dia, a grande vilã da fixação de conteúdo é a curva do esquecimento. Quaisquer das 3 maneiras citadas vai acabar ocorrendo com mais ou menos ênfase. A meu ver, a pior das 3 é esgotar uma matéria por vez. É a que traz mais conforto pro cérebro (até por isso, perigosa). Você consegue, com o tempo, entender muito bem aquela matéria. Porém há dois problemas. O primeiro é que, por não se alterar a matéria, com o tempo seu cérebro fica enfadado. Ao final daquele dia, as leituras terão menos rendimento, isso porque nosso cérebro sempre gosta de NOVIDADE, pois ela nos chama atenção (basta pensar em qualquer outro campo da nossa vida). O segundo problema é que depois de você esgotar uma matéria, vai ter que esgotar varias outras e, com o tempo, aquele bom conhecimento que você conseguiu vai se esvaindo. Ciclos de matérias (3 em 3, 4 em 4, etc). Mutatis mutandis, é quase a mesma coisa. A diferença vai ser que o primeiro motivo relatado anteriormente não vai acontecer tanto, porque se teria a “novidade” da mudança entre as matérias. Mas a segunda iria ocorrer tal e qual. Varias matérias num dia só. Dessas, é a que traz menos prejuízos. Pois teríamos a novidade e não incidiríamos tanto no esquecimento, visto que, por ter várias matérias por semana, voltaríamos logo a ela. O problema é que, em concursos-fim (Magistratura, MP, DPE, DPU (tem 23 matérias)), acaba ficando muita coisa na semana, o que pode trazer confusão. Porém, para concursos menores como técnico e analista, pode ser usada sem problemas. O que recomendo pra concursos grandes, é começar com as principais e ir acrescentando as secundárias na medida em que se identifica os pontos fracos. É assim que fazemos na nossa Mentoria. Um abraço!
Uma ou várias matérias por dia?

Pergunta muito comum e muito polêmica, pois há diferentes modos de percepção. Já adianto que não pretendo minimamente ser o dono da verdade. Vou tentar explicar o meu modo de pensar. Eu prefiro várias matérias por dia. Explico. Se você estudar só uma matéria por dia, por mais conforto que lhe dê entender mais e até mesmo aprofundar aquele conteúdo no determinado dia, demorarás muito pra voltar a ele, ou, se voltares rápido, acabarás negligenciando matérias que vai se precisar estudar uma hora ou outra, afinal nosso tempo disponível para estudo não muda. A grande vilã aqui é a curva do esquecimento. Muita gente prefere estudar só uma matéria porque fica sabendo bem dela, NAQUELE MOMENTO. Com um tempo sem vê-la, você vai esquecer. O mero fato de entendermos determinado conteúdo não é garantia alguma de que vamos lembrar sempre. Aí que está a estratégia de estudo. Você pode pensar em revisões periódicas, mas elas com o tempo ficam inviáveis, conforme já expliquei algumas vezes. Então o que proponho são várias matérias por dia, por mais fragmentadas que fiquem, mas que, por voltarmos mais rápido a elas, incidiremos menos na curva do esquecimento e consequentemente nos lembraremos mais na hora da prova, que é o que de fato importa.
Se o plano não funcionar, mude a estratégia, não o objetivo

Objetivo: SER CONCURSADO Plano: acabar a faculdade, se matricular num cursinho por um ano e passar gloriosamente! Realidade: faz isso e quando finalmente vai fazer provas, bomba. Não deu certo. O que fazer? “Foi culpa minha, não me dediquei o suficiente, vou fazer um cursinho de forma séria agora”. Se matricula no tido como o melhor curso disponível, anota até espirro do professor, assiste todas as aulas pra que possa fazer outra prova. E quando chega ela, BOMBA. “Poxa, o que aconteceu? Fiz tudo certo agora”. Um amigo então fala de um “coach” com um método de revisão infalível que consegue ver toda a matéria estudada em um mês e lembrar de tudo. Ela tenta pôr em prática, mas quando se da conta, a sua vida está em função das revisões, sua saúde está mal, não tem qualquer tempo para si, e mesmo assim quando faz prova vai mal. Desiludida, acha que a culpa é sua, que não é capaz,e diz que irá tentar uma última vez. Como? Contratando mais um cursinho… Como esperado, vai mal nas provas, e, desencantada, abandona seu sonho. “Concurso não é pra mim”. Se você já teve algum tipo de pensamento assim, o que eu tenho a dizer é exatamente essa frase: NÃO MUDE SEU OBJETIVO! O problema está no seu plano!
Você é seu maior sabotador!

Isso, você mesmo. Acha que não? Tudo bem. Vou listar aqui algumas situações e pedir pra você procurar o culpado. 1. Estabelecer metas de estudo de matéria (tantos artigos lidos, tantas paginas, revisões periódicas), que, com o tempo, inevitavelmente ficarão inviáveis, e consequentemente não serão cumpridas. Ficar com peso na consciência porque elas não são cumpridas, tentar estudar mais, mas não conseguir. Acabar ficando com ansiedade por causa disso. 2. Pior. Deixar que um terceiro que não conhece a sua realidade trace as suas metas. 3. Achar que quanto mais se estuda, mais se sabe, e estudar de domingo a domingo 10h por dia (ou algo parecido), para na prova, não ir bem, e perceber que aquele cara que trabalha 2 expedientes passou e você não. Acaba não percebendo que seu cérebro precisa de um tempo pra assentar as ideias. 4. Sair o edital, você ficar com aquela empolgação para tentar estudá-lo inteiro. Começa super bem, cumprindo tudo o que pretendia, e ao longo da preparação, vai diminuindo o ritmo, até chegar perto da prova com uma qualidade de estudo bem aquém do que imaginava. Logo perto da prova, quando o estudo tem que se intensificar mais! Pra completar, como começou muito pesado, tem fadiga mental, e não consegue driblar isso. 5. Cumprir metas apenas pra justificar pra si mesmo que foram cumpridas, sem se dar conta da qualidade do seu estudo. “Ah, já cumpri minha meta hoje, vou me divertir”. 6. Não ir fazer uma prova porque faltou estudar “aquele 1% vagabundo do edital”, ou porque a passagem ficou cara, ou porque um terremoto caiu no Japão. Só duas observações quanto às metas faladas. Uma é que é desejável você estabelecer metas de tempo de estudo de cada matéria, o famoso cronograma. O que critico são as metas de quantidade de matéria. A outra observação é que metas foram criadas pra serem batidas, você ganhar o prêmio, e depois serem esquecidas ou pelo menos não precisar pensar nelas até próximo mês. Será que pra metas de estudo, que você tem que fixar matéria e lembrar dela meses depois, vale o mesmo raciocínio?
Estatísticas de site de questões aferem conhecimento de momento. Resultados em simulados e provas aferem evolução!

Ficou confuso? Vamos lá então. Como já falei aqui, muita gente se preocupa com as estatísticas dos sites de questões. “Fiz 50.000 questões.” “Estou com 85% de acerto em Constitucional”. Pessoal, isso pode ser motivador pra você, e qualquer motivação é válida, mas não vai adiantar muito na hora da prova. Fiz um vídeo sobre isso que devo publicar no nosso canal no youtube durante a semana (se inscreve lá). Você precisa entender que a questão deve necessariamente ser usada pra aumentar seu conhecimento. A função primordial dela é essa. Detalhe importante a ser ressaltado é que você pode estar com 90% de acertos em determinada disciplina, mas isso não necessariamente refletir seu nível nela. Basta você fazer questões do que ACABA DE ESTUDAR. É claro que você vai acertar muitas! Mas na hora da prova cai tudo, amigão! Não é só o que você acaba de estudar. Como seu cérebro vai lidar com isso, se você não TREINOU ELE PRA ESSE tipo de situação? Já provas e simulados, quando comparados ao corte, sempre vão te dar uma noção de evolução. SE você chega mais próximo do corte, tá estudando bem; se você tá se distanciando, tá estudando mal. Simples assim. Estudo pra concursos não é complexo. O problema é que você pode gastar seu tempo buscando complexidade nele. Aí é com você! Busque identificar seus pontos fracos e siga! Uma hora vai dar certo!
A pressa é inimiga da aprovação!

Mas calma: nem 8 nem 80. Tanto não podemos ser apressados pra querer passar em 10 semanas, como não podemos ser conformados com uma demora de 10 anos. Quem lembra das 6 fases da cognição? Conhecimento, compreensão, aplicação, análise, síntese e crítica. Então, muitas vezes queremos executar todas essas fases uma única vez, tentando exaurir o tema. Não só vamos gastar mais tempo, como muito daquele tempo vai ser desperdiçado, porque não fixaremos muita coisa dali a uma semana, por exemplo. Cada um tem sua curva de aprendizado, por isso que os tempos pra cada um são diferentes, mas uma coisa é fundamental: EVOLUÇÃO. Sempre tenha em mente o corte das provas que você faz. Você pode se aproximar 1 questão a cada prova do corte. Vai demorar? Vai. Mas uma hora você ultrapassa. Pode ser de 2 em 2. De 5 em 5. Ou que nem uma aluna nossa que subiu 11 questões do TJPR pro TJSC. Isso é de cada um, mas tem que haver evolução. Caso não esteja identificando essa evolução, pare um pouco para investigar seu processo de aprendizagem e descubra onde está o gargalo! Boa semana a todos e todas!
Você é a média das 5 pessoas com quem mais convive. Procure conviver mais com quem já conseguiu o que você quer!

Verdade ou não é? É algo fácil de deduzir. O ambiente em que vivemos afeta o que somos. O conjunto de características do grupo em que estamos inseridos influencia na maneira em que nos comportamos como pessoas e em quem nos tornamos. Costumo atribuir meu sucesso rápido nos concursos a duas coisas. À estratégia e ao círculo de pessoas em que estava inserido. Isso significa que eu não tinha outros contatos? Claro que tinha! Mas só conversava sobre concursos com quem realmente achava que poderia me acrescentar. Os outros seriam a família, amigos de trabalho, amigos de farra, que não me acrescentavam em quase nada nesse aspecto. Normalmente, essas pessoas, ou por não entenderem muito como funciona o mundo dos concursos (familiares e amigos que não são da área), ou por já terem se frustrado muito com ele (amigos de trabalho e alguns de faculdade), acabam te levando pra baixo. Em tese, cercar-se de pessoas saudáveis, inteligentes e interessantes provavelmente o tornará como eles. E o oposto também é válido. Cuidado com as pessoas negativas, que não estão alinhadas com o seu propósito de vida. Só você tem o poder de controlar quem você se torna. Não só através do seu próprio desenvolvimento pessoal, mas ao escolher com quem você passa mais tempo. Normalmente, quem já foi aprovado no que você quer, vai ter até prazer em ajudar. Chegue na cara dura e pergunte: “E aí, como é que você fez pra passar?”. Por mais que algumas dicas não se encaixem na sua realidade, uma ou outra você vai conseguir pinçar e adaptar pra você, e aí já valeu a pena aquela curta conversa. De grão em grão a galinha enche o papo. No fundo, tudo é uma questão de escolha! Escolha quem você vai se tornar!
