Saco de ossos e concursos públicos

Antigamente, no treinamento de monges, a eles eram mostradas imagens escatológicas relacionadas a seres humanos. Fezes, excreções, órgãos, cadáveres, etc, serviam como exemplo para o monge entender que o corpo humano é apenas um saco de ossos, e assim não sucumbir às tentações da carne. Assim, no futuro, quando vissem uma mulher, não teriam como olhar sexualmente para ela, pois pensariam que ela era apenas mais um saco de ossos. Ele havia sido treinado a pensar daquela forma. Ele conseguia controlar sua maneira de pensar. Conseguia determinar o pensamento que teria em certas situações. Isso se chama metacognição (pensar sobre pensar) e tem relação direta com autoconsciência. Como podemos utilizar isso nos estudos? Você tem que se conhecer muito bem pra saber se está aprendendo ou não. Quanto mais você se conheça, mais direcionado será seu estudo pra chegar em determinado objetivo. Agora cuidado! Nossa mente costuma nos pregar muitas peças. A grande maioria das pessoas tem um senso de auto-análise muito raso. Se você acha que se conhece muito bem, provavelmente não se conhece, conforme pesquisas já demonstraram (os motoristas que se achavam melhores se envolviam em bem mais acidentes que aqueles que não se sentiam tão aptos, p ex). Dessa maneira, precisamos ou que outras pessoas nos ajudem, ou de regras objetivas pra sabermos se estamos avançando ou não. No primeiro caso, um amigo próximo ou um orientador nos estudos. No segundo, simulados e provas. Não há métodos perfeitos de estudo, mas você pode descobrir se o seu está errado. SEMPRE SE ANALISE. Valeu!
Tempo não se tem; tempo se faz

Bem, durante essa sequência de postagens tentarei passar dicas práticas de como se fazer mais tempo, afinal o tempo de todos é o mesmo, nós só temos diferentes prioridades. Acontece que há prioridades que não podem ser descartadas, como trabalho (há maneiras de se estudar, mas é delicado), família, academia, lazer, alimentação, enfim, necessidades básicas. Na verdade, há quem só considere o trabalho como prioridade, relegando os outros a posições secundárias em prol do estudo, o que é um grande erro, pois fatalmente a fadiga e problemas psicológicos baterão à porta. O tempo que tentaremos recuperar aqui é aquele das atividades que não demandam nosso intelecto, ou seja, improdutivas para o estudo. Antes de falar deles, aprenda uma coisa: nunca haverá uma situação perfeita para se estudar. Nunca. Por mais que as circunstâncias externas contribuam, o seu cérebro sempre pode sabotar. Então, não perca tempo pra achar algo ideal, este tempo já é muito precioso. O feito é melhor que o perfeito. Dito isso, vamos lá. Meios de transporte (ônibus, metrô, carro), academia, banheiro (banho ou outras necessidades), etc, são ótimos para se ganhar tempo. Pode parecer engraçado, mas é sério. O tempo ganho nesses locais pode ser diferencial, para quem tem o tempo muito restrito. Durante toda a minha vida de concurseiro, eu usei essas táticas intensamente. Na época que estudava pro MPU, tinha apenas 3h bloqueadas pra estudo, e passava 2 horas do meu dia num ônibus e em pé. O que eu fiz? Gravei algumas leis em áudio e poucas aulas, e coloquei no meu MP3. Ia a viagem inteira escutando. Pode ter certeza que entrava alguma coisa, por mais que não fosse um estudo primoroso (depois de levar um pisão no pé, por exemplo). Quando era oficial de justiça e estava estudando pro MPF, gravei várias aulas de cursinho em áudio (deu um trabalho), mas passava em torno de 10h por semana dentro do meu carro, que seriam totalmente improdutivas não fosse aquelas aulas (aconselho matérias que você não sabe nada, pois sempre entra alguma coisa). Na academia, enquanto uma galera “socializava”, eu ficava na bicicleta marcando certo e errado num aplicativo de informativos. Quando iniciei os estudos, por trás do box do meu banheiro, tinha mnemônicos de administrativo e constitucional, sugestão do grande @williamdouglas, na sua obra que em muito me ajudou “Como Passar em Provas e Concursos”. Ainda hoje, uso técnicas semelhantes, como colocar um livro digital no tablet e ir escutando ele durante a viagem para o interior onde trabalho (8h por semana). Eu fiz e faço escolhas que não são tão difíceis pra estudar. Não precisa sacrificar amigos e família. Dá pra fazer isso na sua realidade também, basta querer!
4 dicas para controlar melhor o tempo de prova em concursos públicos

Com certeza, o fator tempo é um dos recursos mais escassos nos dias atuais. Para muita gente, 24h não são suficientes para executar todas as tarefas do dia. Essas pessoas acabam ficando frustradas por não conseguirem “dar conta”. Assim, a administração do tempo tornou-se essencial para alguém ser bem-sucedido. Priorizar aquilo que realmente importa e aprender a dizer “não” devem fazer parte da rotina daqueles que querem ser mais produtivos. Isso também se aplica aos concursos públicos: cada vez mais os candidatos estão se deparando com provas com maior quantidade questões e, para piorar, com enunciados mais longos. E sem falar da cobrança de redação em muitos casos, hein? Inclusive, observei nessas últimas semanas vários candidatos se queixando do pouco tempo das últimas provas. Eles mencionaram frases do tipo: “Você viu aqueles textos de Português? Estavam enormes! Levei 2h para resolver 10 questões.”; “Eram necessárias 6h para resolver todas as questões”; “Restando 1h:30min para o término da prova, percebi que ainda faltavam 15 questões para resolver, bem como a redação. Foi um desastre!”. Ouvi muitas outras reclamações que não vou citar aqui por não ser o objetivo do texto. O que quero que compreenda é que o tempo de prova deve ser trabalhado durante a preparação do candidato. Não podemos esquecer que ele é o mesmo para todos os candidatos. Terá um melhor desempenho aquele que, além de ter estudado de forma orientada, souber melhor administrar o tempo. Vou citar um exemplo: no concurso do TJ-AL serão 80 questões e duas questões discursivas para o cargo de analista judiciário a serem resolvidas em 5h. Para o cargo de técnico, serão 100 questões a serem resolvidas em 4h. Com simples cálculos, percebemos que os candidatos ao cargo de analista terão aproximadamente 2min:37s para resolver cada questão, já descontando um tempo estimado de 1h para a discursiva e 30min para passar o gabarito para a folha de respostas. Para o cargo de técnico o tempo é ainda menor: 2min:06s para cada questão (já descontando o tempo de passar o gabarito). Já pensou em resolver aquelas questões de Português da FGV com textos enormes em 2min:06s? É desesperador, não acha? Então, o que fazer? Antes de dizer o que fazer, vou comentar o que NÃO fazer: – não podemos começar a prova pelas matérias que temos menos afinidade, pois naturalmente levaremos mais tempo para resolvê-las. Além disso, iniciar por essas questões trará um efeito psicológico negativo, já que teremos a impressão de que a prova está dificílima e que não sabemos de nada. – iniciar por Português é uma verdadeira loucura. Você vai perder muito tempo com os textos gigantescos e quando der conta faltará pouquíssimo tempo para as demais questões, que representam maior percentual da pontuação final. – resolver as questões discursivas logo no início também não é um bom negócio. Se você não estiver devidamente preparado, essas questões vão te consumir um tempo precioso e não será possível resolver as objetivas. Não podemos esquecer que é necessário alcançar a nota de corte da prova objetiva para que a discursiva seja corrigida. Mas vamos lá! Agora, quero te passar algumas dicas de como administrar melhor o tempo da prova: 1) Priorize as matérias que se sente mais preparado: iniciando por essas matérias, você resolverá as questões rapidamente, economizando tempo para as questões mais difíceis. 2) Assinale as questões que estiver em dúvida: não sabe da questão ou está em dúvida? Assinale-a e já siga para a seguinte. Não perca tempo. A primeira leitura da prova deve ser destinada à resolução das questões “fáceis”. Após a primeira leitura, você retorna para as questões assinaladas e pode pensar um pouco mais. Quero, com isso, que garanta os pontos fáceis. Afinal, nada pior do que não ter acertado uma questão simples por não ter tido tempo nem de ler o seu enunciado. 3) Leia o tema da redação no início da prova e siga para as questões objetivas: fazendo isso, inconscientemente você vai montando o seu texto enquanto resolve as questões e trará uma enorme economia de tempo quando elaborar o seu texto. 4) Português deve ser resolvida quando decorrido metade do tempo de prova: assim como não é bom resolvê-la no início, também não é indicado deixá-la para o final, uma vez que você estará cansado para ler os longos enunciados delas. Dessa forma, procure resolver as questões de Português quando tiver decorrido 1h:30min-2h de prova. Espero que tenha conseguido chamar sua atenção para a importância de definir a estratégia adequada para resolver provas de concursos públicos de modo a aproveitar o tempo da melhor maneira possível. Vamos que vamos!!! Marcelo Vasconcelos
