O Poder do Hábito para Concurseiros – Parte I

O ser humano é uma criatura de hábitos. Apesar de você achar que está no controle a maior parte do tempo, os dias se repetem, e consequentemente você repete hábitos pré-determinados. A grande verdade é que os hábitos são os responsáveis por todos os resultados da sua vida. Quer passar em concurso e não está dando certo? Mude seus hábitos! Mas como? Para citar um exemplo, Charles Dunhig,, em o “Poder do Hábito”, menciona um senhor que sempre esquecia tudo que ocorria com ele pouco tempo depois de acontecer. Em determinado dia, ele sai de casa sem rumo, mas, contrariando todas as probabilidades, consegue retornar, superando, naquele momento, a enfermidade que o acometia. E o motivo de ele lembrar era que tinha o hábito de caminhar com sua esposa todos os dias. Isso foi suficiente para que cientistas o estudassem e descobrissem que as práticas rotineiras são armazenadas em uma área diferente da da memória no nosso cérebro. É por isso que tomamos decisões rotineiras sem pensar muito, sem precisar da memória, pois nosso cérebro meio que “liga o automático”. Esse é o poder do hábito. Nosso cérebro é a máquina mais poderosa que já existiu. Prova disso é a vitória de enxadristas experientes contra supercomputadores, comprovando que nosso cérebro, se bem treinado, consegue superar a melhor das máquinas. Como toda pessoa esperta, no bom sentido, busca produzir o máximo de resultado, com o mínimo de esforço, daí ele automatiza rotinas. Um hábito funciona em um fluxo de 3 etapas: Gatilho: algo que acontece e que chama a atenção do cérebro para escolher qual das rotinas do modo automático usar Rotina: ação física emocional ou mental, que é automaticamente acionada pelo gatilho Recompensa: estímulo positivo que ocorre para dizer que aquela rotina funciona Se entendermos como isso se desenvolve, seremos capazes de criar novas rotinas e hábitos. Agora pense como concurseiro. Gatilho: errar uma questão ou acertar no chute Rotina: corrigir todos os itens dela, minuciosamente, até que não sobre quaisquer dúvidas sobre o que está certo ou errado Recompensa: acertar questão na prova Que tal você começar a treinar, hein?
Por que você erra questões nas provas objetivas?

a) Porque não sabe. b) Porque são difíceis. c) Falta de atenção. d) Questões mal elaboradas. e) Todas as alternativas anteriores. A resposta correta, como imagino que todos tenham pensado, é o item E. E o que deduzimos disso? Isso quer dizer que apenas um dos motivos de erro é você não saber. Quando você vai mal numa prova, acha que foi mal porque não sabe de nada, e este apenas é um dentre vários motivos de você ter errado as questões. E o pior. Esse motivo é o que mais se demora a corrigir, já que leva tempo pra você aprender mais. Porém os demais motivos podem ser compreendidos e superados. Questões difíceis: Elas vão ocorrer em quase toda prova. E errá-las não vai fazer diferença e não significa que você está mal, afinal se é difícil, muita gente errou. Você ficou pra trás porque errou questões fáceis. Falta de atenção: Aqui está uma grande vilã. A falta de atenção faz com que se erre questões fáceis e fique pra trás. A melhor maneira de diminuí-la é fazer muitos simulados e achar o melhor meio de se concentrar na hora da prova. Questões mal elaboradas: Pouca gente percebe, mas as questões mal elaboradas minam o desempenho de muita gente, porque a pessoa, mesmo sabendo tudo sobre determinado assunto, fica com medo de errar, e isso afeta a confiança para as demais questões. Busque ignorar esse tipo de questão e ponha em mente que você pode recorrer depois. Como se vê, há inúmeros meios de se melhorar desempenho em provas, não somente saber mais. Espero ter ajudado!
Sobre tempo de espera

Há um livro do padre Fábio de Melo de uma sensibilidade ímpar chamado Tempo de Espera. Nele, um jovem acadêmico de filosofia que anda meio desacreditado da vida sofre uma decepção amorosa e acaba procurando um escritor e professor aposentado, começando a trocar experiências por cartas. O interessante é que depois de um tempo o jovem percebe que aquele professor aposentado era seu ídolo e um homem de grandes feitos, e acaba pedindo ajuda para conquistar o amor perdido. A partir daí, começa uma jornada de aprendizado, na qual o professor ensina ao jovem a busca da felicidade através da simplicidade. O jovem, que é um pouco metido, questiona ao professor o porquê de ele ter abandonado uma vida de tanto sucesso e realização, a mesma que queria para ele mesmo, ao passo que o professor retorque afirmando que o sucesso vem da fé, do amor próprio e ao próximo, através da contemplação dos milagres da vida. Vale muito a leitura. Os dois tipos de sucesso, tanto da realização como da contemplação, dependem de tempo de espera, que é único para cada um. Se você tentar atropelar sua espera, acreditando que ela é a mesma do outro, seu concorrente, seu amigo, seu parceiro de vida, você vai acabar se frustrando e se angustiando. Aplicando aos concursos públicos, orientaria a, antes de buscar uma ilusória resolução imediata do seus problemas, olhar para si mesmo, questionar o que você realmente quer (sempre se questione) e se analisar para ver a maneira de evoluir, não só como estudante, mas fundamentalmente como pessoa. Falando de coisas práticas, e tentando fugir ao lugar comum, antecipe o que pode ser antecipado sem prejuízos (na prática, fazer provas, por exemplo), mas dê tempo ao que precisa de tempo (a maturação de um método adequado a sua realidade). Trabalhando bem esses dois aspectos da sua vida concurseira, o final feliz de seu tempo de espera, como o do livro, estará próximo!
Sobre ser algoz de si mesmo

No mundo de hoje, competitivo, impessoal, rígido, as pessoas costumam cobrar demais de si mesmos, seja para se tornar um funcionário de destaque, uma excelente mãe, um pai próximo, seja para ter sucesso nos estudos, conquistar um novo emprego, ou o tão sonhado cargo público, as pessoas se doam ao máximo àquele objetivo, cobram seus resultados rapidamente, esperam obter suas conquistas a curto prazo, estabelecem para si metas impossíveis. Essas pessoas podem ser excelentes para os outros, afinal estão sempre desenvolvendo as mais diferentes atividades, atendendo a todos, alcançando bons rendimentos, correspondendo às expectativas, mas a verdade é que elas são algozes de si mesmas. Pessoas que se cobram demais não percebem o mal que fazem a si. Não dão valor a momentos de lazer, não valorizam seu trabalho, não valorizam o outro. Não compreendem que momentos de higiene mental, sem atividades, são tão importantes quanto os longos momentos de estudo. Tem dificuldade em perceber que um estudo de qualidade só se faz com a mente tranquila, equilibrada. Pessoas que se cobram demais, punem-se demais. E essa auto-punição não tem resultado algum. É a chamada síndrome do pensamento acelerado (SPA) estudada por Augusto Cury, um outro nome dado ao transtorno de ansiedade, e sobre a qual me debruçarei em outro post.
Sobre estudo e memorização

Muita gente me pergunta qual a melhor forma de memorizar. Como eu conseguia lembrar de tantas coisas difíceis. Como se aprende sem precisar decorar. Acho que se fosse falar de tudo isso aqui demoraria um livro, mas vou tentar facilitar. E não. Sem cursos de memorização ou técnicas malucas. Simplesmente NÃO TEM COMO SABER DE TUDO! Se vocês partirem dessa premissa, além do estudo ficar mais leve, vocês vão poder focar em outras coisas que podem ser sim problemas efetivos, provas, métodos, nervosismo, ansiedade, etc. O problema que a gente imagina que só se estuda bem uma coisa se entendê-la completamente. Só se avança no conteúdo quando entende o anterior. Gente, não é assim. Nosso cérebro não foi moldado dessa maneira. Ele foi moldado pra satisfazer nossas necessidades mais prementes, e infelizmente estudo não é uma delas. O nosso consciente sabe pouquíssima coisa quando comparado a nosso sub e inconsciente. Não há como doutrinar o cérebro a ponto de fazer ele lembrar de tudo que você quer. . ENTÃO PORQUE VOCÊ CONTINUA INSISTINDO EM QUERER APRENDER TUDO? Entenda como funciona a cobrança daquela matéria e o aprendizado superficial dela. Saiba as leis que são cobradas e os principais artigos. APENAS SAIBA. Não precisa memorizar ou decorar tudo. Isso vai vir com o tempo. Porém se você se preocupar com a forma de aprender tudo, não vai ser muito legal, porque estudos já comprovaram que nosso rendimento e foco são muito maiores quando nos desligamos da forma e focamos no RESULTADO. É como imaginar um corredor correndo uma prova de 100m e ele pensar como pode melhorar a rapidez de suas pernas durante a corrida.Fatalmente ele vai perder (como já aconteceu). Desenvolva seu estudo naturalmente. Se preocupe inicialmente com o contexto de tudo. Tenha paciência que ele vai dar frutos!
A cilada do ensino tradicional

Vejam se essa situação não é comum. A pessoa entra no colégio no primeiro ano do ensino fundamental e estuda 12 anos da seguinte forma: vê determinados assuntos e 2 ou 3 meses depois faz uma prova sobre eles. Tal rotina se estende, com uma adaptação ou outra, durante toda a escola. Muitas vezes os conteúdos são repetidos anos depois pra melhor fixação. Só muda quando ela faz vestibular. Mas ao entrar na faculdade, volta a mesma rotina. Estuda certos assuntos de acordo com as cadeiras ou módulos, e faz uma prova ao final daquilo ali, só sobre a pouca matéria que estudou E aí a pessoa cai de paraquedas no mundo dos concursos. Como você acha que ela vai se comportar? Naturalmente como ela acha que é o único jeito de se aprender, o ensino tradicional. Cursos, livros, vagareza, mas aí vê que algo começa a dar errado. “Ora, porque não estou aprendendo?” “Por que estou me dando mal nas provas que faço?” . Simplesmente porque 12 anos (período de ensino tradicional na escola) não são 12 semanas ou 12 meses (estudo pra Concursos). Você passou 12 anos estudando de um jeito na escola, naturalmente você iria aprender daquele jeito (embora tenha gente que nem assim tenha aprendido). Como você quer aprender tudo pra concurso estudando assim?? Não é muito lógico. E por fim, cada um tem seu histórico, curva de aprendizagem e conhecimento prévio. Como você acha que um método que é aplicável a todo mundo vai ser a você? Pensa nisso!
Você sabe de tudo que já estudou?

Eu tenho certeza que a tua resposta vai ser NÃO. Então te pergunto: porque estudas todos os assuntos do edital? Porque só achas que és capaz de fazer uma prova quando passar por todo o conteúdo pelo menos uma vez? Porque queres lembrar de tudo que leste na última hora, senão vai considerar que aquilo não foi apreendido? Por que começar a estudar uma matéria por livros que super aprofundam os conteúdos sem saber se aquilo vai servir pra ti ou não? Todas estas perguntas são uma tentativa de abrir sua mente para dizer que, mesmo que saibas que é impossível saber tudo, tu continuas a ter atitudes e práticas que levam a esse lugar comum. Infelizmente, não estais sozinho (a) nesse pensamento. Na verdade, a maior parte da culpa é do nosso ensino tradicional. Por dois motivos. Um é por prestigiar demais os famosos “decorebas”, sem ter um efetivo aprendizado do conteúdo. A outra, e nem podemos culpar alguém por isso, é que a maior parte dos assuntos (tirando algumas maluquices de física, química e biologia, etc.) é passada aos alunos em doses homeopáticas, ao longo de 10 anos ou mais (português, matemática, história, geografia, etc.). Como comparar isso a um estudo de meses ou poucos anos pra concurso público, que tem uma compreensão diferente da faculdade, onde ainda impera o ensino acadêmico e tradicional? Não dá. Na verdade, tudo que você estudou está na sua mente, e é chamado força de armazenamento, porém vários assuntos estão em locais inacessíveis, e você precisa da força de recuperação, para acessar esse conhecimento quando você quer. Porém, para desenvolver essa força, há técnicas que vou me debruçar depois. Baseado nas rasas linhas escritas acima, já dá pra deduzir que não tem como se estudar pra concurso do modo como estudamos pra quaisquer outros exames que fazemos. Quem percebe isso já sai na frente. Esqueça esse mito de saber de tudo, principalmente pra fases objetivas. Provavelmente você conhece alguém que sabe tudo, e que nunca passou. Talvez esse alguém seja até você. Isto acontece porque o foco está sendo direcionado para outro alvo que não a aprovação. Saia desse conforto. Temos que ser pragmáticos.
Domine o processo de aprendizagem, não o aprendizado

Pessoal, esse talvez seja um dos textos mais importantes até aqui. Muitas vezes partimos do pensamento que devemos aprender tudo, que se não soubermos muito, não vamos passar, e assim por diante. Ocorre que o conhecimento vive mudando! Você sabe o tanto de coisa que se descobre todo dia? Ou o tanto do que se escreve sobre cada matéria toda hora? É muita coisa. Se você ficar querendo abraçar o mundo com as mãos, você não vai chegar a lugar nenhum! Agora se você souber como você aprende (particular de cada um), você aprenderá qualquer coisa! Durante a escola, muitos de nós ficávamos bestas com aquelas pessoas que pouco estudavam e sempre iam muito bem em provas, ao passo que outras, que se esforçavam muito, iam mal. Muitos pensavam: isso é um dom, nunca vou ser assim. Os que assim continuaram pensando, realmente não se tornaram. Mas aquele que se esforçava e tinha a mentalidade que podia dar certo, tenho certeza que teve sucesso, seja em que área for. E por fim aquele que tirava boas notas e ficou se confiando apenas nisso, hoje provavelmente não está bem das pernas. Por que? Possivelmente porque não sabe lidar com frustrações (tema para um outro post). Outra nuance dessa ideia é quando a gente fica com medo de investir tempo e dedicação em algo que pode dar certo. Se esforçar pra isso. Quem nunca? Isso é apenas um escapismo pra, depois que não dar certo, você ter uma justificativa. Porque imagina se você investe tempo e não da? Que desculpa você se daria? Ia ficar arrasado(a). Portanto, voltando ao início, saiba o modo como você aprende. Nunca você saberá tudo, pelo contrário. Conheça seus limites, mas não se subestime. A recompensa virá!
Momento “Heureka” e o descanso

Conta a lenda que Arquimedes, um sábio matemático da Grécia Antiga, incumbido pelo Rei de Siracusa a solucionar um mistério sobre se a sua coroa era de ouro maciço ou não, ficou “empancado” em suas teorias e não conseguiu, por algum tempo, resposta para o enigma, o que o deixou bem frustrado. Certa feita, ao se banhar numa banheira, em um momento de descanso, quando não estava pensando no problema, entendeu finalmente o enigma, saindo gritando pelas ruas “Heureka”, que significa “descobri”. Para falar de um exemplo da atualidade, o CEO da empresa Oracle, Marc Beniof, gigante da computação em nuvem, teve as ideias que revolucionariam o mundo da tecnologia ao tirar um mês de férias no Havaí. Isso tem a ver com serendipidade, a habilidade que temos de descobrir, por obra do acaso e sagacidade, coisas pelas quais não estávamos procurando.A consciência aberta cria uma plataforma mental para descobertas criativas e insights inesperados. Na consciência aberta, não temos advogado do diabo, cinismo ou quaisquer julgamentos, apenas receptividade absoluta para o que quer que surja na mente, incluindo ideias de como podemos melhorar nossos estudos, ou decisões acerca de em qual concurso investir. Daí a importância do descanso. Saiba que, mesmo descansando, sua mente vai estar trabalhando, e um momento Heureka para definir sua vida de concurseiro pode muito bem surgir.
3 dicas para aumentar sua velocidade de leitura

Se você está com o tempo apertado, concorda que ler mais rápido vai aumentar sua eficiência no estudo? Pois bem, vou citar aqui três técnicas SIMPLES, mas que deverão aumentar seu rendimento. Não é nada muito novo, mas funciona. Ah, e não se trata daquelas maluquices de leitura dinâmica não. Algo mais PRÁTICO. 1 – Diminua ou elimine a SUBVOCALIZAÇÃO Subvocalização é aquela mania que a gente tem de ler falando baixo o que tá lendo. Ficamos com a sensação de que só aprenderemos se ouvirmos a voz (sozinhos, principalmente). Isso deriva do nosso ensino tradicional, onde ficamos com o pensamento que só aprenderíamos algo definitivamente se o professor falasse, o que não é verdade. O problema é que isso deixa a leitura muito lenta, porque nossos olhos são mais rápidos que nossa boca, simples haha. Portanto, comece diminuindo, e depois elimine isso. 2 – Não faça REGRESSÕES VISUAIS Nesse caso é você ficar voltando a visão sempre que acha que não está entendendo. Contar um segredo pra vocês: isso é super NORMAL. Não somos obrigados a entendermos 100% tudo que a gente lê (não somos máquinas), a capacidade do cérebro de cada um é única e isso vai depender de inúmeros fatores, como pré-conhecimento do assunto, nível de concentração, etc. O importante é você avançar. Na segunda leitura daquilo (é um ciclo), você pode entender bem mais fácil. Dê uma chance. 3 – USAR VISÃO E AUDIÇÃO AO MESMO TEMPO Se não vai por bem, vai por mal. Se você não consegue aplicar essas técnicas, experimente ler algo com alguém falando isso numa velocidade rápida no seu ouvido. Tem aplicativos e programas pra isso (tem que ser leis ou livros digitais). Inevitavelmente você vai ter que acompanhar. Mais uma vez, algumas coisas não vão ser compreendidas, mas o contexto será, e há momentos em que ele é mais importante. Depois que acabar e for reler, vai ver que muita coisa ficou fixada. É isso! Até a próxima!
